26/06 - Ataque nas Manifestações

Relato recebido em 17 de julho

Meu nome é Alícia, tenho 22 anos e sou estudante de Geografia pela UFMG. Fiquei sabendo deste e-mail há algum tempo, porém estive muito atarefada nos últimos dias e abalada, fisicamente e psicologicamente, por isso não enviei este e-mail antes. Gostaria que logo que alguém o leia me responda dizendo quem é e quais estão sendo as diretrizes tomadas para estes casos.

No dia 26 de junho, quarta-feira dia do jogo Brasil X Uruguai, fui às manifestações. Sai de casa com minha mãe, professora aposentada da rede pública, porém ela foi embora depois da longa caminhada e eu fiquei com meus colegas e amigos da geografia. Permanecemos distante da barricada policial onde se instaurou um cenário de guerra, conversávamos sobre ações efetivas, estratégicas e democráticas para reivindicar nossos direitos. Por volta das 18:30 decidi ir embora acompanhada de duas amigas do meu curso, e pedi a minha mãe que nos buscasse no cruzamento da Av. Antônio Carlos com Av. Bernardo Vasconcelos. Enquanto caminhávamos minha mãe ligou e disse que já estava a nossa espera acompanhada de minha tia. Após o Viaduto São Francisco, a um quarteirão da Av. Bernardo Vasconcelos, às 19: 18 aproximadamente (possuo ligações celulares que comprovam), vimos viaturas da PM subindo a Av. Antônio Carlos e atirando de forma aleatória balas de borracha e jogando bombas de dentro da viatura em movimento, abaixamos para nos defender, quando eu vi uma bamba se aproximando de mim, consegui apenas tampar meu rosto com o braço esquerdo.
Corri para uma esquina para me esconder, logo depois vieram minha amigas, em meio a situação eufórica nem mesmo percebi que havia sido atingida, quando várias pessoas se juntaram ao meu redor para tentar ajudar olhei para minha perna e vi o estrago que a polícia havia feito em mim. Minhas amigas, que por sorte não foram atingidas pelos estilhaços, ligaram para a minha mãe e a avisaram do ocorrido, ela na tentativa de chegar onde estávamos, pediu ajuda a um policial que se encontrava na subida do entroncamento que conecta as duas avenidas, ele negou dizendo: "Não dona, eles estão tacando bomba na gente la". Com a ajuda de populares do bairro São Francisco e alguns manifestantes, minhas amigas conseguiram ajuda de um garoto que passava de carro para nos levar até a Bernardo Vasconcelos onde minha mãe estava. Quando a encontrei fomos para o Hopital João XXIII onde recebi os devidos cuidados.

As quatro primeiras fotos em anexo foram tiradas por minha mãe no hospital e as posteriores comigo já em casa depois dos dez pontos na perna, três no braço esquerdo e quatro nas costas.

Postei meu relato no dia seguinte no Facebook, que contém o seguinte texto:

“ – O aconteceu com você moça?
- Foi a bomba doutor, de efeito moral.”
Ontem, 26 de junho de 2013, quando eu e duas amigas da Geografia - UFMG voltávamos para casa, fui atingida por uma bomba que policiais jogavam, aleatoriamente, das viaturas da PM em meio aos tiros de bala de borracha.
Minhas amigas tiveram algumas queimaduras por causa dos estilhaços quentes, porém a bomba estourou na minha perna, perdi 4 cm de massa devido a queimadura, e também levei pontos no braço e nas costas, além de pequenos ferimentos em todo o lado esquerdo do corpo.
Que guerra é essa Brasil? Contra os futuros professores da nação?"

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