17/07 Abordagem violenta e sexista da PM

Abordagem violenta e ilegal da Policia Militar no viaduto Santa Tereza.

Relato do Grupo Temático de Direitos Humanos e Minorias da Assembléia Popular e Horizontal de Belo Horizonte

police-brutality-md.png

Ontem a noite (17/07), o Grupo de Discussão Direitos Humanos e Luta Contra Opressões realizou mais uma reunião, que aconteceu embaixo do Viaduto Santa Tereza.

Por volta das 20:30, uma viatura da ROTAM chegou ao local para fazer uma batida a poucos metros de onde o GT se encontrava. Os PMs abordaram um morador de rua. Exercendo o direito de fiscalização cidadã, Mariana, integrante do grupo, acompanhou a ação da polícia, tendo até conversado com um deles.

Depois de verificar que a situação estava relativamente tranquilo, ela voltou para arena e a reunião seguiu. Pouco depois, a ROTAM fez como se fosse embora, mas imediatamente a viatura parou a poucos metros do grupo e, já com armas em punho, os policiais desceram, ordenando, aos berros, que todxs se alinhassem no centro da arena - sob ameaça constante de serem detidxs.

As respostas dos policiais sobre o motivo da abordagem truculenta e infundamentada foi de que xs membros do GT estavam em um local suspeito.

Então, violentamente truculentos, começaram as revistas nas bolsas, separaram homens e mulheres, agredindo de forma verbal xs integrantes do grupo. Em caráter desrespeitoso e machista, um dos PMs se voltou para Karine, outra representante da Assembleia Popular Horizontal, e disse: "Você até que é bonitinha".

Enquanto as bolsas ainda eram revistadas, o soldado Rafael Gama da Silva (matrícula 1483049) puxou os homens uma parte separada da arena para a fazer a abordagem pessoal.

O processo foi executado de maneira incorreta, à base de xingamentos e agressões. Depois de puxa-lo pelo capuz - enforcando - mandar que ele ficasse de costas e com as mãos na cabeça, o policial abriu as pernas de Phillipe e esmurrou suas partes íntimas. Ao perceber que o rapaz usava saia, o soldado Rafael perguntou: "Você tá de saia?". A resposta, obviamente foi positiva. "Porra, mas que viadagem!", ele comentou.

Phillipe gritou denunciando ao grupo a declaração homofóbica feita pelo soldado, que negou o comentário, admitindo apenas a pergunta sobre a saia. Na sequência, Rafael Gama disse: "No Brasil, os homens usam saia. Se ele usa calça… o problema é dele".

Os policiais detiveram a integrante Mariah utilizando indevidamente da violência. Tentaram algemá-la, mas não o fizeram pelo questionamento do GT frente a atitude desnecessária dos agentes da ROTAM. Eles a arrastaram e a jogaram brutamente na parte traz da viatura. Impediram, inclusive, que ela levasse sua bolsa e documentos, bem como não permitiram que fosse acompanhada por defensoras legais.

Mariah não reagiu de forma que comprometesse a segurança dos demais ou mesmo a segurança da PM. Para tentar demonstrar suporte à companheira, xs membros do grupo se aproximaram do camburão. Rapidamente, os policiais ordenaram que se afastassem, caso contrário seriam igualmente presos.

Dentro da viatura, a companheira foi submetida à violência moral e psicológica, ouvindo ponderações como:

"É a primeira vez que isso acontece com você? Você sabe que isso não dá nada. No máximo, uma cabeça no meio fio e serviço comunitário." "Você já foi levada pela ROTAM? É um orgulho, viu. Chegar na favela mais perigosa e contar que foi levada pela ROTAM logo de primeira é uma grande honra!". No caminho, os policiais parodiavam o pagode "Grades do Amor", do grupo Revelação: "A ROTAM me pegou, tentei escapar não consegui.."

A moça foi encaminhada para o Juizado Especial Criminal, onde foi elaborado seu boletim de ocorrência. A todo momento, os agentes da polícia tentavam intimidar xs representantes da Assembleia. Batiam fotos, falavam e mostravam imagens dos assassinatos que tinham cometido, dos processos - que "não dariam em nada" - existentes contra eles na Corregedoria.

Realizamos uma denuncia à Corregedoria nesta manhã e iremos até a Promotoria de Direitos Humanos. Não iremos nos intimidar!
Porém, é urgente e necessário que estejamos sempre atentxs por nossa segurança. Ficou claro no dia de ontem que aquele ato era uma retaliação xs manifestantes, já que muitos policiais nos conheciam.

Andem sempre acompanhadxs e, principalmente, não transitem por aquela região sozinhxs.
Garantir nossa proteção e segurança é indispensável para que continuemos firmes na luta.
DESMILITARIZAÇÃO JÁ! FORA PM ASSASSINA!

Unless otherwise stated, the content of this page is licensed under Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 License